Inspirações para uma vida saudável.
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Inspirações para uma vida saudável.

“Não que eu tenha pressa mas… quanto tempo vou levar para deixar de ser iniciante?” Chacra - Svadhisthana Chacra - Vishuddha Chacra - Sahasrara Chacra - Muladhara Chacra - Anahata Chacra - Manipura Chacra - Ajna

Ocorreu no início de uma aula. A aluna que começara yoga há poucas semanas interrompeu sua prática após algumas saudações ao sol e dirigiu-me a pergunta que suscitou tantas reflexões:

“Não que eu tenha pressa mas… quanto tempo vou levar para deixar de ser iniciante?”

Uma questão tão relativa… e tão reveladora.

É fato que em nossa sociedade nós, seres humanos, somos impelidos desde pequenos à competitividade, a alcançar resultados palpáveis e a transpor fases. Este é um padrão que se aplica às séries escolares, aos jogos de videogame, às faixas do caratê… mas tratando-se de yoga, definitivamente, esta pergunta soa um tanto fora de contexto.

Se, por um lado, uma vez que nos prostramos sobre o mat com a mente alerta e o coração aberto, já iniciamos nossa prática (e portanto, podemos considerarmo-nos “iniciados”), por outras muitas razões penso que deixar de ser principiante é algo que pode levar algumas (ou muitas) encarnações. Ser “faixa preta” no yoga, atingir um bom tônus e flexibilidade muscular ou fazer posições das séries avançadas infelizmente não significa que aquele que as faz é um yogi, no verdadeiro sentido do termo.

Aquele que executa os ásanas propriamente enquanto sua mente arquiteta a reunião que ocorrerá horas mais tarde; o praticante que faz as passagens (os chamados jump-backs) graciosamente mas é incapaz de controlar sua respiração durante a prática; alguém que se alimenta sempre a fim de satisfazer seus sentidos, sem qualquer reflexão sobre a qualidade dos alimentos que consome – e o impacto destes sobre o planeta; a pessoa bem relacionada mas que, no íntimo, destrata sua família ou é incapaz de ser fiel ao parceiro que escolheu para sua vida; aquele que não respeita as outras formas de vida e os outros reinos viventes no planeta; alguém que está sempre a cobiçar as posses dos outros e a lamentar por aquilo que não possui e pelas experiências que não viveu… enfim, são taaaantos os exemplos que me levam a concluir que, como no TAO, o que o yoga consagra é muito mais o caminhar e menos o ponto de chegada.

Patanjali, o sábio que compilou o Yoga Sutra, descreveu os 8 passos (ashta=oito, anga=parte) para atingirmos a liberação final, ou samadhi. Esse tratado fundamenta princípios morais que orientam nossa conduta e nossos relacionamentos e são imperiosos para o trilhar do caminho de lapidação humana que o yoga propõe. Muito mais avançado do que colocar as pernas atrás da cabeça é conseguir ser verdadeiro e coerente em nossas ações, é a prática de ahimsa (não-violência) em todas as esferas de nossa vida. A compreensão correta ou vidya, (palavra sânscrita que significa sabedoria, verdade, conhecimento) floresce através da prática diária e diligente. Prática não só de posturas físicas (ásanas) mas também de um estilo de vida indivisível.

Por fim, penso que “ser iniciante” denota estar aberto para o não conhecido e supõe interesse, respeito e disponibilidade para escutar. Essas condições são componentes indispensáveis para a compreensão do yoga e determinantes para as novas paisagens internas que o praticante há de desbravar.

Que todos nós permaneçamos sempre iniciantes, sempre aprendizes, sempre disponíveis.. como Ms. Porchon Lynch, 95, praticante e professora de yoga há 43 anos.. “I´m a yoga begginer, I´m still learning”…

Nesse vídeo ela tinha 92 anos de idade.

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Helena Rosenthal

Helena Rosenthal - Ver mais posts deste autor

Felizmente conheci o Ashtanga Yoga aos 19 anos e rapidamente me apaixonei por este método. Desde então me dedico ao estudo e aprofundamento contínuo desta prática. Procuro ensinar o método exatamente como me foi transmitido por meus professores na Índia. Nas cinco viagens que fiz a Mysore, pratiquei sob orientação de R. Sharath Jois no K. Pattabhi Jois Ashtanga yoga Institute, de quem recebi autorização internacional em 2010, após participar do treinamento para professores do instituto. Em 2014, em nova imersão, fui contemplada com a autorização nível 2, o que me torna apta a instruir a segunda série do método. Acredito profundamente nesta ferramenta que nos propicia um melhor auto-conhecimento, o que reflete em todas as nossas relações com os seres humanos e o com o planeta. Confio no esforço amoroso desta disciplina diária como forma de lapidação e integração dos diferentes corpos que possuímos: mental, emocional e espiritual. Através do desenvolvimento dessa intimidade interna, da purificação orgânica que a prática propicia, da observância das virtudes no dia-a-dia e de nosso comportamento e atitudes, podemos enfim vivenciar a espiritualidade de forma concreta.

rosenthal.helena@gmail.com
http://ashtangapitanga.blogspot.com.br/

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